⚖️ Partes e Procuradores no Processo Civil
Domine as partes e procuradores no processo civil: capacidade processual, representação, procuração, deveres, responsabilidades e aplicação prática.
Domine as partes e procuradores no processo civil, os sujeitos essenciais da relação processual. Entenda o conceito de parte, capacidade processual, capacidade postulatória, a diferença entre representação e assistência, os requisitos da procuração (art. 105, CPC), os poderes da cláusula ad judicia, os deveres das partes e dos procuradores (art. 77, CPC), a litigância de má-fé (art. 80, CPC), a responsabilidade por dano processual (art. 81, CPC), a legitimidade concorrente para recorrer sobre honorários, a distinção entre parte e procurador, e a natureza do mandato judicial. Conteúdo completo, com quadros comparativos, exemplos práticos, jurisprudência do STJ e questões para fixação com gabarito e justificativa. Material essencial para concursos, OAB e exames da magistratura.
⚖️ Partes e Procuradores no Processo Civil
Domine as partes e procuradores: conceitos, capacidade, representação, deveres e responsabilidades.
No processo civil, as partes e seus procuradores são os sujeitos essenciais da relação processual. Enquanto as partes são os titulares do direito material em conflito (autor e réu), os procuradores são os representantes legais que atuam em nome das partes, exercendo a capacidade postulatória (exclusiva de advogados) para praticar atos processuais em juízo .
📌 Conceito: Partes e Procuradores
⚡ Conceito: Parte é a pessoa que ocupa a posição de autor, réu ou interveniente em um processo . Procurador é o advogado ou representante legal que atua em nome da parte, mediante procuração ou substabelecimento, praticando atos processuais em seu nome .
📌 Fundamento: As regras sobre partes e procuradores estão previstas no Código de Processo Civil (arts. 70 a 118), que disciplinam a capacidade processual, a representação, os deveres das partes e dos procuradores, e a responsabilidade por dano processual .
⚠️ ATENÇÃO: A capacidade processual (capacidade de estar em juízo) não se confunde com a capacidade postulatória (capacidade de praticar atos processuais, que é exclusiva do advogado).
📋 1. Capacidade Processual
A capacidade processual é a aptidão da pessoa para estar em juízo, defendendo seus direitos ou sendo demandada. A regra geral é que toda pessoa tem capacidade processual, salvo as exceções legais .
| Situação | Representação | Fundamento |
|---|---|---|
| Pessoa física capaz | Age em nome próprio, com advogado | Art. 70, CPC |
| Pessoa física incapaz | Representada por seus representantes legais (pais, tutor, curador) | Art. 71, CPC |
| Pessoa jurídica | Representada por seus administradores ou procuradores | Art. 75, VI, CPC |
| Espólio | Representado pelo inventariante | Art. 75, V, CPC |
| Massa falida | Representada pelo síndico | Art. 75, III, CPC |
| União, Estados, Municípios | Representados por seus procuradores | Art. 75, I e II, CPC |
⚠️ ATENÇÃO: A falta de capacidade processual ou a irregularidade da representação deve ser sanada, sob pena de nulidade do processo ou revelia (art. 76, CPC) .
📋 2. Procuração e Poderes do Procurador
A procuração é o instrumento pelo qual a parte (outorgante) nomeia um procurador (outorgado) para representá-la em juízo . A procuração define os limites e a extensão dos poderes do procurador .
🔹 Cláusula Ad Judicia (Poderes para o Foro em Geral)
A cláusula ad judicia (ou ad judicia et extra) confere ao procurador poderes para praticar todos os atos processuais em juízo ou fora dele, salvo os atos que exijam poderes especiais .
“Os poderes da cláusula ad judicia são gerais, autorizando o procurador a praticar todos os atos processuais, exceto aqueles que exijam poderes especiais.”
📌 IMPORTANTE: A cláusula ad judicia permite ao procurador: praticar atos ordinários, receber citação, contestar, produzir provas, recorrer, e praticar outros atos do processo. NÃO permite, salvo poderes especiais: transigir, desistir, renunciar ao direito, reconhecer a procedência do pedido ou substabelecer com reserva de direitos .
🔹 Poderes Especiais (Art. 105, CPC)
Para a prática de atos de disposição (transigir, desistir, renunciar, reconhecer procedência do pedido), o procurador precisa de poderes especiais, previstos expressamente na procuração .
| Poder | Descrição | Fundamento |
|---|---|---|
| Transigir | Fazer acordo ou conciliação | Art. 105, CPC |
| Desistir | Desistir da ação ou do recurso | Art. 105, CPC |
| Renunciar | Renunciar ao direito material | Art. 105, CPC |
| Reconhecer procedência | Reconhecer que o pedido do autor é procedente | Art. 105, CPC |
⚠️ ATENÇÃO: O substabelecimento com reserva de direitos NÃO pode transferir poderes que o outorgante originário não concedeu. O substabelecente só pode repassar os poderes que recebeu .
📋 3. Deveres das Partes e dos Procuradores (Art. 77, CPC)
O art. 77 do CPC estabelece os deveres das partes e de seus procuradores, que devem ser observados sob pena de responsabilização .
“Art. 77 – Compete às partes e aos seus procuradores:
I – expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II – proceder com lealdade e boa-fé;
III – não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento;
IV – não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito.”
📌 ATENÇÃO: É defeso às partes e aos seus advogados empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz mandar riscá-las (art. 79, CPC) .
⚖️ 4. Litigância de Má-fé (Arts. 80 e 81, CPC)
A litigância de má-fé ocorre quando uma das partes age com deslealdade, dolo ou culpa no processo, causando prejuízo à parte contrária .
🔹 Hipóteses de Litigância de Má-fé (Art. 80, CPC)
- ✅ Deduzir pretensão ou defesa cuja falta de fundamento não possa razoavelmente desconhecer
- ✅ Alterar intencionalmente a verdade dos fatos
- ✅ Omitir intencionalmente fatos essenciais ao julgamento da causa
- ✅ Usar do processo com o intuito de conseguir objetivo ilegal
- ✅ Opor resistência injustificada ao andamento do processo
- ✅ Provocar incidentes manifestamente infundados
🔹 Sanções (Art. 81, CPC)
O litigante de má-fé deve indenizar a parte contrária pelos prejuízos causados, além de arcar com honorários advocatícios e despesas processuais .
⚠️ ATENÇÃO: A litigância de má-fé NÃO se confunde com a mera sucumbência. A parte pode perder o processo sem ter agido de má-fé.
⚖️ 5. Legitimidade da Parte e do Advogado para Recorrer
O STJ firmou entendimento de que parte e advogado têm legitimidade concorrente para recorrer de decisão sobre honorários advocatícios, pois o advogado é titular da verba honorária .
📌 STJ: “Parte e advogado têm legitimidade concorrente para recorrer de decisão sobre honorários advocatícios” (STJ, 3ª Turma, 2021) .
📌 ESTATUTO DA ADVOCACIA: O art. 23 do Estatuto da Advocacia reconhece a titularidade dos honorários e a possibilidade de o advogado executá-los em nome próprio .
📋 6. Quadro Resumo: Partes x Procuradores
| Aspecto | Parte | Procurador |
|---|---|---|
| Titularidade | Direito material em conflito | Representação processual |
| Capacidade | Capacidade processual | Capacidade postulatória (advogado) |
| Instrumento | Ação judicial | Procuração ou substabelecimento |
| Responsabilidade | Sucumbência, litigância de má-fé | Litigância de má-fé (também) |
| Deveres | Lealdade, boa-fé, verdade | Lealdade, boa-fé (art. 77, CPC) |
⚖️ Jurisprudência do STJ sobre Partes e Procuradores
📌 RHC 33.790-SP: A queixa-crime é nula quando oferecida por advogado substabelecido com reserva de direitos, se o mandato originário não continha poderes especiais para a propositura de ação penal privada .
📌 TJSC – Apelação 5028389-64.2020.8.24.0033: A simples presença de advogado em audiência, sem procuração, não implica atribuição de poderes representativos .
📌 STJ – AgResp 477.002: A transação extrajudicial prescinde da presença de advogado, mas os honorários advocatícios pertencem ao advogado e não podem ser objeto de acordo sem sua anuência .
🗂️ Resumo dos Pontos Principais
- ✅ Parte: autor, réu ou interveniente; titular do direito material .
- ✅ Procurador: advogado que representa a parte em juízo, mediante procuração .
- ✅ Capacidade processual: aptidão para estar em juízo (art. 70, CPC).
- ✅ Capacidade postulatória: aptidão para praticar atos processuais (exclusiva de advogado).
- ✅ Cláusula ad judicia: poderes gerais para o foro em geral .
- ✅ Poderes especiais: necessários para transigir, desistir, renunciar, reconhecer procedência (art. 105, CPC).
- ✅ Substabelecimento: só pode transferir poderes que o outorgante concedeu .
- ✅ Deveres das partes: lealdade, boa-fé, verdade (art. 77, CPC) .
- ✅ Litigância de má-fé: conduta desleal; gera indenização (arts. 80 e 81, CPC).
- ✅ Legitimidade concorrente: parte e advogado podem recorrer sobre honorários .
📖 Fonte: Código de Processo Civil — Arts. 70 a 118; Estatuto da Advocacia — Arts. 23 e 24
Doutrina: Fredie Didier Jr., Daniel Mitidiero, Manoel Antonio Teixeira Filho
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
A capacidade processual é a aptidão da pessoa para estar em juízo, defendendo seus direitos ou sendo demandada.
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
Capacidade processual e capacidade postulatória são conceitos idênticos.
Com base na doutrina, julgue o item a seguir.
A procuração é o instrumento pelo qual a parte nomeia um procurador para representá-la em juízo.
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
A cláusula ad judicia confere ao procurador poderes gerais para o foro em geral, salvo os atos que exijam poderes especiais.
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
Para transigir (fazer acordo), o procurador precisa de poderes especiais previstos na procuração.
Com base na jurisprudência do STJ, julgue o item a seguir.
O substabelecente pode transferir ao substabelecido poderes maiores do que aqueles que recebeu do outorgante.
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
O art. 77 do CPC impõe às partes e seus procuradores o dever de proceder com lealdade e boa-fé.
Com base no CPC/2015, julgue o item a seguir.
O litigante de má-fé deve indenizar a parte contrária pelos prejuízos causados, além de arcar com honorários advocatícios e despesas.
Com base na jurisprudência do STJ, julgue o item a seguir.
O STJ reconhece que a parte e o advogado têm legitimidade concorrente para recorrer de decisão sobre honorários advocatícios.
Com base na jurisprudência do TJSC, julgue o item a seguir.
A simples presença de advogado em audiência, sem a formal outorga de procuração, já lhe confere poderes representativos.