⚖️ Distinção entre Erro Essencial e Erro Acidental
Domine a classificação do erro de tipo e suas consequências no Direito Penal
O erro de tipo no Direito Penal se divide em duas grandes espécies: o erro essencial, que recai sobre os elementos fundamentais do tipo penal, e o erro acidental, que recai sobre dados periféricos da figura típica. Enquanto o primeiro exclui o dolo, o segundo não o exclui. Entenda o conceito de cada um, a distinção entre erro essencial e erro acidental, as consequências do erro invencível e vencível, as espécies de erro acidental (erro sobre a pessoa, erro na execução e resultado diverso do pretendido), e a distinção entre erro de tipo e erro de proibição. Conteúdo com exemplos práticos, quadros comparativos e dicas infalíveis para a prova.
⚖️ Distinção entre Erro Essencial e Erro Acidental
Domine a classificação do erro de tipo e suas consequências no Direito Penal
O erro de tipo no Direito Penal se divide em duas grandes espécies: o erro essencial, que recai sobre os elementos fundamentais do tipo penal, e o erro acidental, que recai sobre dados periféricos ou acessórios da figura típica . Enquanto o erro essencial exclui o dolo e, se invencível, exclui a culpa, o erro acidental não exclui o dolo, pois o agente sabe que está cometendo um crime, apenas se equivoca em detalhes . O art. 20 do Código Penal disciplina o erro de tipo essencial, enquanto as hipóteses de erro acidental estão previstas nos arts. 20, §3º, 73 e 74 do CP .
Vamos abordar:
- Conceito de erro de tipo
- Erro essencial – requisitos e consequências
- Erro acidental – conceito e espécies
- Erro sobre a pessoa – art. 20, §3º, CP
- Erro na execução – art. 73, CP
- Resultado diverso do pretendido – art. 74, CP
- Distinção entre erro de tipo e erro de proibição
- Dicas para a prova
Vamos lá!
1. Conceito de Erro de Tipo
O erro de tipo é a falsa percepção da realidade sobre os elementos do tipo penal . O agente não sabe ou se engana sobre um ou mais aspectos que compõem a figura típica, elementos sem os quais o crime não se configura .
Art. 20, CP: “O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.”
- Objeto: recai sobre os elementos descritivos ou normativos do tipo penal .
- Consequência: exclui o dolo — o agente não tem consciência da conduta típica .
- Subdivisão: erro essencial e erro acidental .
📌 Dica: O erro de tipo é aquele em que o agente não sabe o que está fazendo (não conhece os fatos). Por isso, exclui o dolo .
2. Erro Essencial (Error in Objecto ou Error in Persona)
O erro essencial é aquele que recai sobre elementos fundamentais do tipo penal — elementares ou circunstâncias sem as quais o crime não existiria . O agente não sabe que está cometendo um crime, pois falta-lhe conhecimento sobre um elemento essencial da figura típica .
- Exemplo clássico: caçador que atira em um vulto achando que é um animal, mas acerta uma pessoa . O agente não sabia que estava cometendo um homicídio, pois desconhecia a elementar “pessoa”.
- Consequência: exclui o dolo (art. 20, CP) .
- Erro invencível: se o erro for inevitável, o agente é isento de pena (exclui também a culpa) .
- Erro vencível: se o erro for evitável, o agente responde por crime culposo, se houver previsão legal .
📌 Dica: Erro essencial = agente NÃO SABE que está cometendo crime. Exclui o dolo .
3. Erro Acidental
O erro acidental é aquele que recai sobre dados periféricos ou acessórios da figura típica. O agente sabe que está cometendo um crime (tem dolo), mas se equivoca em aspectos secundários, que não afetam o núcleo do tipo .
- Consequência: NÃO exclui o dolo — o agente responde pelo crime que pretendeu praticar .
- Classificação: subdivide-se em três espécies: erro sobre a pessoa, erro na execução e resultado diverso do pretendido .
📌 Dica: Erro acidental = agente SABE que está cometendo crime, mas erra detalhes. Dolo permanece .
4. Erro sobre a Pessoa (Error in Persona) – Art. 20, §3º, CP
Art. 20, §3º, CP: “O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa em cuja pessoa o agente pretendia praticar o crime.”
O erro sobre a pessoa ocorre quando o agente pretende atingir determinada pessoa, mas, por equívoco na identificação, acaba atingindo outra pessoa .
- Exemplo: “A” quer matar “B”, mas, por confusão, mata “C”, que tem a mesma aparência de “B”.
- Consequência: não isenta de pena — o agente responde pelo crime que pretendeu praticar .
- Consideração das qualidades: consideram-se as circunstâncias da pessoa visada (pretendida), não da vítima real .
📌 Dica: O erro sobre a pessoa NÃO exclui o dolo. O agente responde como se tivesse atingido a pessoa que queria atingir .
5. Erro na Execução (Aberratio Ictus) – Art. 73, CP
Art. 73, CP: “Quando, por acidente ou erro na execução do crime, atinge pessoa diversa da visada, o agente responde como se tivesse praticado o crime contra a pessoa visada.”
O erro na execução (aberratio ictus) ocorre quando o agente pretende atingir uma pessoa, mas, por desvio na execução do ataque, acaba atingindo outra pessoa .
- Exemplo: “A” atira em “B”, mas o projétil desvia e atinge “C”, que estava ao lado .
- Consequência: não exclui o dolo — o agente responde como se tivesse atingido a pessoa visada (“B”) .
- Distinção do erro sobre a pessoa: no erro sobre a pessoa, o erro é mental (identificação); no erro na execução, o erro é físico (desvio) .
📌 Dica: A diferença prática entre error in persona e aberratio ictus está na causa do erro: mental (identificação) ou física (desvio) .
6. Resultado Diverso do Pretendido (Aberratio Criminis) – Art. 74, CP
Art. 74, CP: “Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo.”
O resultado diverso do pretendido ocorre quando o agente pretende praticar um crime, mas, por acidente ou erro na execução, produz resultado diverso (em relação ao bem jurídico) do que pretendia .
- Exemplo: “A” atira em “B” para matá-lo, mas a bala, além de ferir “B” (lesão corporal), atinge e danifica uma obra de arte ao lado .
- Consequência: o agente responde pelo crime pretendido (doloso) e, se houver previsão legal, pelo crime culposo quanto ao resultado diverso .
📌 Dica: O aberratio criminis envolve resultado diverso (bem jurídico diferente), enquanto o aberratio ictus envolve pessoa diversa .
7. Quadro Comparativo – Erro Essencial x Erro Acidental
8. Dicas para a Prova
Para acertar as questões sobre Erro Essencial e Acidental, memorize:
- Erro essencial: recai sobre elementos fundamentais do tipo — exclui o dolo .
- Erro acidental: recai sobre dados acessórios — NÃO exclui o dolo .
- Erro essencial invencível: isento de pena (exclui dolo e culpa) .
- Erro essencial vencível: responde por crime culposo (se previsto) .
- Erro sobre a pessoa (art. 20, §3º): não isenta de pena; responde como se tivesse atingido a pessoa pretendida .
- Erro na execução (art. 73): desvio físico; responde como se tivesse atingido a pessoa visada .
- Resultado diverso (art. 74): crime pretendido + crime culposo (se previsto) .
- Distinção error in persona x aberratio ictus: erro mental (identificação) x erro físico (desvio) .
📌 Mnemônico – Erro Essencial:
“N S” – Não sabe que comete crime + Sem dolo.
📌 Mnemônico – Erro Acidental:
“S P” – Sabe que comete crime + Permanece o dolo.
📌 Mnemônico – Espécies de Erro Acidental:
“P E R” – Pessoa (art. 20, §3º), Execução (art. 73), Resultado diverso (art. 74).
9. Conclusão
A distinção entre erro essencial e erro acidental é fundamental para o Direito Penal, pois define se o agente responde ou não pelo crime, e de que forma . Enquanto o erro essencial exclui o dolo (e, se invencível, isenta de pena), o erro acidental não exclui o dolo, pois o agente sabia que estava cometendo um crime .
Lembre-se: o erro acidental se subdivide em erro sobre a pessoa (art. 20, §3º, CP), erro na execução (art. 73, CP) e resultado diverso do pretendido (art. 74, CP) . Em todas essas hipóteses, o agente responde, em regra, pelo crime que pretendia praticar .
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📝 10 Questões – Erro Essencial e Acidental
Erro Essencial
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
O erro essencial recai sobre elementos fundamentais do tipo penal, excluindo o dolo do agente.
Erro Acidental
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
O erro acidental, assim como o erro essencial, exclui o dolo do agente.
Erro Essencial Vencível
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
No erro essencial vencível, o agente pode responder por crime culposo, desde que haja previsão legal para a modalidade culposa.
Erro sobre a Pessoa
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
O erro sobre a pessoa, previsto no art. 20, §3º, do Código Penal, não isenta de pena, respondendo o agente como se tivesse praticado o crime contra a pessoa visada.
Erro na Execução
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
No erro na execução (aberratio ictus), o agente responde como se tivesse praticado o crime contra a pessoa visada, nos termos do art. 73 do CP.
Resultado Diverso
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
No resultado diverso do pretendido (art. 74, CP), o agente responde por crime culposo quanto ao resultado não pretendido, se houver previsão legal.
Classificação do Erro sobre a Pessoa
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
O erro sobre a pessoa, previsto no art. 20, §3º, do Código Penal, é uma espécie de erro essencial, que exclui o dolo.
Erro Essencial Invencível
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
No erro essencial invencível, o agente é isento de pena, pois o erro exclui o dolo e a culpa.
Distinção entre Error in Persona e Aberratio Ictus
Com base na doutrina, julgue o item a seguir.
A diferença entre o erro sobre a pessoa (art. 20, §3º) e o erro na execução (art. 73) está na causa do erro: mental (identificação) e física (desvio), respectivamente.
Erro Acidental – Dolo
Com base no Código Penal, julgue o item a seguir.
O erro acidental exclui o dolo do agente, tornando a conduta atípica.
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